"Imortais mortais, mortais imortais, que vivem a sua morte e morrem a sua vida."

Heraclito, 540-480 a. C., filósofo grego, Da Natureza

terça-feira, 25 de outubro de 2016

AQUELE UIVO


E de longe chegou-lhe aquele uivo tão conhecido
Entrou-lhe directo ao coração
Estremeceu e soltou mais uma lágrima...e outra...e outra...
Como podia ser amor, se mais foram as vezes que chorou que as que sorriu...
Sabe que é chegada a hora de virar costas, a quem sempre as costas lhe deu
Sabe, no ínfimo da sua alma, que se faz urgente fazer-se ausente
Sabe que o seu ser livre e guerreiro morrerá na prisão da inércia
Sabe que é hora...de não mais voltar atrás...
E aquele uivo segui-la-à por toda a eternidade, ela sabe!
Quem sabe...em alguma vida será aquele uivo, o uivo da sua felicidade...



terça-feira, 18 de outubro de 2016

ATÉ...


Nunca chegaram a dar o abraço da despedida...
Talvez por não ser uma despedida, ser um até quando tiver que ser...

terça-feira, 4 de outubro de 2016

RECONHECI-TE


Serpenteei vidas e distancias
E reconheci-te
No entremeio da eternidade
Eis que te reencontro
Numa dolorosa certeza
De que não será para já
Aquele desejado final feliz
Reconheci-te
Pois que teu retrato distante
Acompanha minha alma
Nesta infindável travessia de tempos
Unidos por este fio dourado
Escurecido já pelo desgaste temporal
Como desgastado está o presente
Pela incerteza desta união de almas
Mais vidas e mais distancias
Terei que serpentear
E reconhecer-te-ei
Em cada paragem
Em cada acaso
Em cada noite iluminada pela Lua Cheia

Finais Felizes


E naquela noite de Lua Cheia
Ao ouvir o uivo bem ao longe
Percebeu 
Existem finais felizes! 
Dependem somente onde se pára a história...

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

E o tempo passa...



Ficava a ver as horas passar e sentia-se vivo por ver os ponteiros do relógio rodar...
Um dia, os ponteiros pararam.
Pegou no relógio para o levar aquele senhor habilidoso, que arranjava tudo...era um senhor simpático, costumavam cruzar-se todos os dias à mesma hora no café e trocavam algumas palavras.
Quando saiu à rua, não encontrou as pessoas com quem se cruzava habitualmente...
Também não encontrou o senhor habilidoso, que arranjava tudo...já cá não estava... Era simpático...
Os canteiros, em tempos cheios de flores coloridas, estavam repletos de ervas daninhas...
As árvores haviam sido cortadas e no lugar estava um parque de estacionamento...cinzento...Não se lembra de ter visto construírem aquele chão cinzento...
Como tiveram coragem de cortar as árvores? Como é que ninguém fez nada para impedir? Cambada de inúteis!! Cobardes!!
Voltou para casa...e continuou a olhar para os ponteiros do seu velho relógio...agora parados...
Ao menos já não via o tempo passar!