Perdoa-me as vezes em que não consegui fingir alegria, quando a minha alma era tristeza.
Por dizer não, quando esperavas ouvir um sim.
Perdoa-me, por não te dizer o que queres ouvir e não ser quem queres que eu seja.
Por acreditar que devo ser coerente comigo mesma.
Perdoa-me por não saber disfarçar.
Perdoa-me esta frieza, perdoa-me esta franqueza…
E se me quiseres perdoar, perdoa-me também por tudo aquilo que não posso ser.
Por tudo aquilo que não te posso oferecer, por tudo aquilo que não te consigo dar…
E se me conseguires perdoar, perdoa-me por ter sido apenas eu.
Perdoa-me a verdade e os sentimentos que não consigo esconder.
A emoção que não consigo fingir.
A mentira que não consigo dizer.
Perdoa este ser estranho, que ri e dança quando o cansaço toma o corpo...
Que contempla a Lua e o Arco-Íris como se os visse sempre pela primeira vez,
Que acredita que o bem vence sempre, mas que a maldade tem muita força...
Perdoa esta louca, que dá com o coração, sem esperar recompensa...
Que guarda com eterna gratidão cada ajuda, cada abraço sincero, cada apoio nas más horas...
Mas, que com a mesma verdade, vira costas à mentira e à falsidade.
Perdoa-me por não ser capaz de aceitar a comum natureza humana.
Se te for possível perdoar, perdoa esta minha mania de sonhar e de viver num mundo tão distante.
Perdoa esta minha criança interior, que faço questão de não deixar morrer jamais.
Se me conseguires perdoar, perdoa-me por ser leal.
Perdoa-me… pois esta é a única forma que sei viver…