"Imortais mortais, mortais imortais, que vivem a sua morte e morrem a sua vida."

Heraclito, 540-480 a. C., filósofo grego, Da Natureza

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

SONHO DE SONHO




Ontem sonhei que sonhava
E nesse sonho
O meu sonho eras tu
Sonho de um sonho inacabado
Sonho de um sonho acordado

Mas, afinal um sonho
Um sonho de sonho
Sonho de um sonho vencido
Sonho de um sonho temido
E sonhei
Com um sonho de sonho
Onde eras tu o meu sonho
Sonho de um sonho real
Sonho de um sonho imortal.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009



AH! AH!
Nunca!
Jamais o conseguirás!
Quem pensas tu
Ser pequeno
Achas-te capaz?
Jamais o conseguirás!
Puxa-me o tapete
Esburaca-me o asfalto
Tira-me o chão...
Mas nunca
Ouviste?
Nunca!
...me farás cair.
Porque ganharei asas
E os céus serão meu limite.
Empurra-me
Vá!
Porque esperas?
AH!
Sabes que ao teu impulso
Voarei...
Pois te digo
Jamais me verás cair!
Qualquer rasteira
Qualquer traição
Qualquer empurrão
Apenas,
E agradeço-te!
Pois, apenas
Serão minhas asas
Meu salto
Minha libertação...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O TRISTE UIVO DA LOBA


A lua cheia ilumina a negra floresta,
O leve esvoaçar de uma coruja,
o som do vento nas altas ramagens
invadem o silêncio da escuridão
e nada se vê, e nada se ouve.
Apenas o bater descompassado
De um triste coração.
O insignificante som do partir de um ramo
torna-se estridente.
Caminha devagar,
procurando não ser detectada.
Mas a sua respiração ofegante
Deixa adivinhar a sua já longa caminhada
por entre o negro da floresta .
Desviada da matilha caminha só,
de cabeça baixa
não anda a caça,
procura algo que perdeu...
Ouve-se fungar de tristeza
Pois o que busca não é seu...
Enquanto se movimenta lentamente
procurando por todos o recantos
o seu olhar entristece todos os pequenos seres.
Deixou o seu olhar assustador
Que aterroriza quem se cruza
Desvanecer-se em tamanha dor.
Mais à frente o som da água corrente chama-lhe a atenção,
desviando-lhe o olhar para o brilho de um riacho.
Pára para se refrescar
o seu focinho reflecte-se na água pura,
olha durante breves segundos...
Entristece-se ainda mais ao ver na figura
que a seu lado falta o que procura.
Deambula pela floresta perdida
já desesperada
caminhando com passos fracos e incertos.
Olha a sua companheira Lua
E pede-lhe um sinal...
O ponto mais alto da negra floresta!...
Onde as copas das árvores não a cubram
Onde encontre o luar livre de sombras...
Lentamente salta por entre as pedras
subindo ao ponto mais alto.
Recupera as suas forças
e última pedra é atingida num só salto.
Senta-se de cabeça baixa
cansada de tanto caminhar...
o luar ilumina o brilho dos seus olhos,
que se enchem de água...
Uma lágrima cai
E outra...e outra...
O vento sopra agora com mais força no topo da floresta,
Olha o horizonte à sua volta...
Um último suspiro é o que lhe resta.
Pede ao eco que a ajude...
Olha para a Lua Cheia,
enche o peito de ar
e fechando os olhos...
envia o seu último grito
de ADEUS
ao seu amor:
O triste uivo da Loba.