
A lua cheia ilumina a negra floresta,
O leve esvoaçar de uma coruja,
o som do vento nas altas ramagens
invadem o silêncio da escuridão
e nada se vê, e nada se ouve.
Apenas o bater descompassado
De um triste coração.
O insignificante som do partir de um ramo
torna-se estridente.
Caminha devagar,
procurando não ser detectada.
Mas a sua respiração ofegante
Deixa adivinhar a sua já longa caminhada
por entre o negro da floresta .
Desviada da matilha caminha só,
de cabeça baixa
não anda a caça,
procura algo que perdeu...
Ouve-se fungar de tristeza
Pois o que busca não é seu...
Enquanto se movimenta lentamente
procurando por todos o recantos
o seu olhar entristece todos os pequenos seres.
Deixou o seu olhar assustador
Que aterroriza quem se cruza
Desvanecer-se em tamanha dor.
Mais à frente o som da água corrente chama-lhe a atenção,
desviando-lhe o olhar para o brilho de um riacho.
Pára para se refrescar
o seu focinho reflecte-se na água pura,
olha durante breves segundos...
Entristece-se ainda mais ao ver na figura
que a seu lado falta o que procura.
Deambula pela floresta perdida
já desesperada
caminhando com passos fracos e incertos.
Olha a sua companheira Lua
E pede-lhe um sinal...
O ponto mais alto da negra floresta!...
Onde as copas das árvores não a cubram
Onde encontre o luar livre de sombras...
Lentamente salta por entre as pedras
subindo ao ponto mais alto.
Recupera as suas forças
e última pedra é atingida num só salto.
Senta-se de cabeça baixa
cansada de tanto caminhar...
o luar ilumina o brilho dos seus olhos,
que se enchem de água...
Uma lágrima cai
E outra...e outra...
O vento sopra agora com mais força no topo da floresta,
Olha o horizonte à sua volta...
Um último suspiro é o que lhe resta.
Pede ao eco que a ajude...
Olha para a Lua Cheia,
enche o peito de ar
e fechando os olhos...
envia o seu último grito
de ADEUS
ao seu amor:
O triste uivo da Loba.
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