Os dias correm e as transformações acontecem.
É inevitável a mudança surgir em nós e ao nosso redor.
Hoje somos sorridentes e sonhadores,
amanhã, depois de uma mudança repentina,
já somos tristes e pessimistas.
É a roda viva do momento que nos faz girar
e sem esperarmos,
metamorfoseamos em algo
que não esperávamos poder existir.
É o eu mudar para um outro eu.
Muitos momentos me transformaram,
De criança em adulta,
de estudante em trabalhadora
de aluna em professora,
de fraca em forte e de forte em fraca.
Já fui muitas, em alturas diferentes
e continuo a não ser o mesmo de amanhã.
Receamos as mudanças, mas elas não querem saber.
Simplesmente acontecem.
Queremos ser felizes num determinado contexto,
mas logo se abrem outros
e desejamos algo melhor e mais grandioso.
Algumas mudanças deixam-nos guardar coisas antigas,
mas outras mudam totalmente a nossa vida,
apagam o trilho,
queimam tudo o que foi plantado.
Dizem os sábios que temos que esquecer,
dar a volta por cima dos dissabores.
Mas isso é ser hipócrita,
porque se a única coisa que fica são as memórias,
e essas são as que nos fazem existir,
então, a dor é irreversível
porque vem de mão dada com as lembranças.
Resta-nos atenuar o que não podemos alterar,
conduzir a vida e não esperar que ela se transforme por si só.
Acreditar que o destino existe, mas que não está escrito.
Viver é estar aberto a mudanças,
é aceitá-las se concordarmos ou rejeitá-las quando as não queremos.
Acabar não tem de ser o terminar.
Começar não tem de ser o iniciar.
Acabar não é o fim e o começar não é o ponto de partida.
Vejo a vida através de uma linha recta,
sem inicio, sem meio e sem fim...
apenas uma recta ao encontro de outras que possam aparecer no caminho.
Durante o viver, poucas são as linhas que são compatíveis com a nossa.
Pessoas que se compreendam e que se queiram.
Pessoas que usam o mesmo lápis na escrita e no desenho.
Pessoas que se amam.
Pessoas que existem para existirem uma para a outra.
Pessoas comuns a mim...a ti...comuns a nós
Este é o grito de uma Guerreira!! Aqui deixo as marcas cravadas pela vida em minha alma selvagem enclausurada num mundo dito civilizado... Este é o meu covil, onde guardo os meus alentos e desalentos, as minhas forças e fraquezas, as minhas armas...as minhas lembranças...os meus sentimentos... Aqui estarei eu...mulher...guerreira...selvagem...
"Imortais mortais, mortais imortais, que vivem a sua morte e morrem a sua vida."
Heraclito, 540-480 a. C., filósofo grego, Da Natureza
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
UMA VIDA...

Ainda mal abrira os olhos
E lá estavam os mesmos pensamentos
Aqueles terríveis sussurros
Sempre os mesmos tormentos
Repetem-se as palavras
Que rodopiam num espiral
Não se lembra de ter sonhado
Apenas desta tortura que é real
Basta!
Grita angustiado
Sente-se enlouquecer
Está cansado deste tormento
Seu único desejo é morrer
Mas, não padece de doença física
Apenas anos de fraqueza
Sem forças para a superar
Seu coração sangra tristeza
E não o consegue tratar
Olha-se ao espelho...
E abomina aquela visão
“Que treta de ser!
Que grande falhado sou!
Para quê continuar a viver
Este rumo que a vida tomou?”
Mas a vida não ruma sozinha
Quem tem o leme és tu
Se queres sair de mares revoltos
Não deixes à deriva a embarcação
Não podes deixar os remos soltos
Segue as coordenadas do teu coração.
“Sim!
Vou segurar os remos!
Com todas as forças, remar contra a maré
A forte ondulação vou passar
Em terra firme pôr o pé
E em novo chão caminhar...”
Tomou seu banho efusivamente
Como que para de tudo se limpar
Secou-se numa toalha habitual
Com a mesma escova se penteou
Vestiu a roupa usual
Com o mesmo perfume se perfumou.
Saiu de casa decidido
De que seria um novo dia
Pelas ruas de sempre caminhou
Mas hoje, com passos acelerados
Os mesmos rostos encontrou
No café de sempre sentados.
Bebeu o seu galão, com o seu bolo preferido
E saiu direcção ao seu emprego rotineiro
Não o fazia de coração
Apenas para ganhar dinheiro.
Um dia igual a tantos outros
Sem nada de novo acontecer
Sem adquirir novos conhecimentos
Apenas mais um dia viver.
Voltou a casa cansado
Deitou-se no seu sofá
Os sussurros de sempre ecoaram
Sentiu-se novamente entristecer
Terríveis pensamentos de novo o torturaram.
Afinal, o que mudaste tu?
Nada!
Tornou-se num eco constante
E ele mais desanimava
Relembrou todos os passos deste dia
E, sem dar conta já chorava
Porque afinal, nada podia.
A embarcação!
Lembrou-se de repente.
Saiu de casa sem em mais nada pensar
Durante horas caminhou
Finalmente chegou ao mar
E sem dúvidas por ele entrou...
A ondulação forte e incerta
Empurrava-o bem para o fundo
Ele não se debatia
Não queria voltar ao mundo.
Passou-lhe a tela da vida
Com boas e más recordações
Pensou em tudo o que perdera
Pelas suas más decisões.
Sentiu-se morrer de Saudades
De todos os que um dia amou
Não se consegue perdoar
Porque em troca todos magoou.
Pensou no dia do seu funeral
Quem iria chorar por ele?
Viu sofrimento nos seres amados
Dor sentida e verdadeira
Seus belos rostos transfigurados
Pela sua fraqueza derradeira.
Abriu os olhos...
Não aguentou dolorosos pensamentos
Iria mais uma vez dilacerar
Todos os corações que o acolheram
E ele nunca soube amar.
Olhou na direcção da superfície
O Sol afogava-se também
Mas, em poucas horas voltaria a nascer
Já ele, nada fazia
E sabia que ia morrer.
O fim aproxima-se...
Já não consegue, nem quer suster o ar
Segundos inundariam seus pulmões
Seu coração doente, iria por fim descansar
Era o fim das suas provações.
Perdoem-me!
Quis dizer...
Mas, a água não permitia
Bracejou...
Debateu-se...
Só queria ver mais um nascer do dia.
Chorou...
Arrependeu-se...
Mas, a terra não mais voltaria.
Na sua maior fraqueza
Tomou o leme da embarcação
Sem forças não desistiu
Pensou com o coração
E....realmente conseguiu.

Perdoem-me!
Conseguiu então dizer
Logo que sentiu no seu rosto ar
Sentiu-se desfalecer
Mas, alguém o veio ajudar.
Foram breves segundos
Que duraram verdadeira eternidade
Ali morreu um ser derrotada
Mas, juntamente com o Sol, nasce outra realidade.
Ao abrir os olhos
Pensou que tudo poderia estar igual
Mas, não a sua maneira de pensar
Os seus fantasmas e medos
Morreram no fundo do mar.
Como será amanhã?...
Isso pouco interessava...
Seguiria as coordenadas do coração
Pois descobrira que ele ainda amava
E, não mais deixaria à deriva a embarcação...
domingo, 11 de outubro de 2009
...tomou conta de mim...

Hoje a solidão tomou conta de mim
Então afoguei-me num mar de tristeza
Hoje eu senti
Que estar sozinha é estar envolvida por todos
E não sentir ninguém ao meu lado
Que estar sozinha é estar envolvida por todos
E não sentir ninguém ao meu lado
Hoje eu chorei
E ao chorar senti o meu corpo desmanchar-se.
Então ouvi no silêncio, uma história triste
Narrativa de páginas cinzentas,
escritas com meus sentidos.
E ao chorar senti o meu corpo desmanchar-se.
Então ouvi no silêncio, uma história triste
Narrativa de páginas cinzentas,
escritas com meus sentidos.
sábado, 10 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Segue a vida...

E segue a vida...
Com desilusões e ilusões
Com amores e desamores
Com alegrias e tristezas.
Morre o passado
Mas jamais se esquece!
E segue a vida...
Com forças para andar
Com vontade de viver
Com alegria e amor para espalhar...
Viver hoje!
Recomeçar
Ou simplesmente continuar...
Seguir um caminho!
E segue a vida...
Porque parar é morrer
E morto...
Só o passado!!!
domingo, 4 de outubro de 2009
VOA
Voa minha liberdade, voa
Entra se eu servir de morada
Permite-me voar à tua altura
Apoiada na tua cintura
Como eterna namorada
Voa como um sonho desvairado
Um sonho que só se sonha acordado
Voa, coração esvoaçante
Como voa um pássaro gigante
Contra os ventos sem pecado
Voa nas manhãs ensolaradas
Entra, faz verdade esta ilusão
Voa e leva a dor do meu grito
Quero ser teu infinito
Neste azul sem dimensão
Voa…
Entra se eu servir de morada
Permite-me voar à tua altura
Apoiada na tua cintura
Como eterna namorada
Voa como um sonho desvairado
Um sonho que só se sonha acordado
Voa, coração esvoaçante
Como voa um pássaro gigante
Contra os ventos sem pecado
Voa nas manhãs ensolaradas
Entra, faz verdade esta ilusão
Voa e leva a dor do meu grito
Quero ser teu infinito
Neste azul sem dimensão
Voa…
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