"Imortais mortais, mortais imortais, que vivem a sua morte e morrem a sua vida."

Heraclito, 540-480 a. C., filósofo grego, Da Natureza

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Alma Selvagem

Que fazes tu
Alma Selvagem
Penitenciada neste corpo
Desta matéria prisioneira
Neste ser algemada
Submissa neste mundo de pateticas regras
Obrigada e uma vida de impostas obrigações

Vives uma existência acorrentada

Teus gritos de guerra, emudeceram...
Teus pés descalços, aprisionados...
Tuas tatuagens, arrancadas da pele...

Como vives
Alma Selvagem
Sem mato onde te camuflar
Sem terra para correr
Sem nascente onde te banhar


Tortuoso castigo o teu



Dolorosa dualidade


A necessidade de te libertar
E a noção dessa impossibilidade;
O anseio pela fuga
E a obrigação de estar presente;
O não estar bem em lado algum
Mas, mesmo assim ter que ficar.

Criaste laços de amor
Que te impedem de ser tu
Alma Selvagem
Laços que te amarram a uma existência
Onde deixaste de existir
Que te ferem, tamanha a força de seus nós
Laços que não pretendes desmanchar
Amarras que não queres quebrar
Mas, que te prendem
Que não te deixam mais ser
Alma Selvagem

1 comentário:

  1. Anónimo18.3.10

    Se escrevestes sobre teus sentimentos, consola-te, pois não estás só. A mim, parece que escrevestes sobre os meus.

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