"Imortais mortais, mortais imortais, que vivem a sua morte e morrem a sua vida."

Heraclito, 540-480 a. C., filósofo grego, Da Natureza

sexta-feira, 5 de março de 2010

Adormecer...


Entrego nos braços da noite o meu corpo exausto.
Liberto minha alma,
na escuridão e silêncio que me envolvem.
Na companhia do Luar e das estrelas,
caminho pelos prados adormecidos...
sentindo a cada passo,
o estalar dos troncos e folhas secas
que se quebram à minha passagem.
Sigo,
em direcção a lado nenhum,
numa ânsia não sei de quê...
Procuro,
nesta caminhada,
o corpo perdido numa cama qualquer.
Sinto,
o vazio da minha própria ausência,
derramar-se sobre os meus sentidos.
A noite, está escura e fria…
e eu não consigo conter em mim
a força e o calor do meu espírito...
Vou andando,
sem rumo,
nesta solidão apetecida.
Deixo-me perder por aí,
em liberdade que me serve de companhia
Na espera que o dia me amanheça
e me leve de volta ao corpo despido,
que repousa numa cama qualquer.

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