- E o que sentes realmente?
- Tanta coisa...e nada...
- Começa por explicar o nada.
- Fácil, nada é nada...é vazio...
- Mas, sendo nada, como podes sentir? Se sentes algo, mesmo que um vazio, já estás a sentir alguma coisa...logo apenas sentes tanta coisa... e isso é bom...retira-te essa dualidade de sentimentos que criaste. Fica só "tanta coisa"...
E o que sentes realmente?
- Sinto que sou nada! Que penso tanta coisa e sinto tanta coisa...e no final, somando tudo...tenho nada...
- Enganas-te mais uma vez!
Isso é impossível...se tens uma coisa e juntas outra coisa, jamais obténs nada. É matemáticamente impossível...
- Bem sei, mas o que quero dizer é que eu sou o nada... de tanta coisa que sinto, que penso, que quero...não tiro nada, não faço nada, não alcanço nada...
Vês?! Nada...nada...nada...
- Não creio que assim seja. Poderás não ser tudo o que desejas, o que sentes, o que pensas... mas, nada...
- Sim, alguma coisa sou...nada do que está no meu ser... nada do que sei que poderia e deveria ser!
E isso enfurece-me!!!!!!
E isso deprime-me... e isso tira-me as forças...
- E o que sentes realmente?
- Raiva deste ser fraco que deixei crescer e enclausurou a minha essência...e agora, que me apercebo do mal que me faz... quero aniquilá-lo, mas as minhas energias foram sendo sugadas a pouco e pouco, sem que desse conta...
É tarde...
- Nunca é tarde!
O tempo corre contra nós, se formos na direcção errada, mas corre a nosso favor se seguirmos a mesma direcção, tal qual o vento... Só tens que te virar a favor do tempo e do teu interior.
- Por favor, não me perguntes mais o que sinto...porque a resposta é triste...
Sei que vais perguntar...
Sinto que te vou desiludir, mas não sei em que direcção vai o tempo...nem vontade de o alcançar...
- Vais saber...quando realmente o quiseres...e isso será breve, pois o teu ser não aguenta muito mais tempo de clausura.
Nesse momento, gritará de dentro de ti: E o que sentes realmente?