"Imortais mortais, mortais imortais, que vivem a sua morte e morrem a sua vida."

Heraclito, 540-480 a. C., filósofo grego, Da Natureza

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Escrita com Tinta Permanente




Cansada de virar páginas da velha sebenta
De capa gasta e folhas amareladas
Decidiu comprar um novo caderno
De capa rija e folhas brancas, cor da Paz
É assim que se sente,
Em Paz
Não conseguiu afogar velhos monstros
Eles aprenderam a nadar
Mas, ela nem lhes nota a presença
Já não os ouve, já não os vê, já nem os sente
Pegou no seu velho lápis e contemplou-o
Companheiro de desilusões,
Contador de sonhos acordados,
De quedas e tropeções
Olhou o carvão pálido e a madeira gasta e escurecida 
Juntou o velho lápis à amarelada sebenta 
Arrumou-os no fundo da gaveta
Não se deita fora a história de uma vida...
Saiu de casa decidida 
Desta vez a história será diferente!
Comprou uma caneta de tinta permanente
Pois, no seu intimo, sente que assim será
E nem se permite ter medos nem dúvidas...


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