Cansada de virar páginas da velha sebenta
De capa gasta e folhas amareladas
Decidiu comprar um novo caderno
De capa rija e folhas brancas, cor da Paz
É assim que se sente,
Em Paz
Não conseguiu afogar velhos monstros
Eles aprenderam a nadar
Mas, ela nem lhes nota a presença
Já não os ouve, já não os vê, já nem os sente
Pegou no seu velho lápis e contemplou-o
Companheiro de desilusões,
Contador de sonhos acordados,
De quedas e tropeções
Olhou o carvão pálido e a madeira gasta e escurecida
Juntou o velho lápis à amarelada sebenta
Arrumou-os no fundo da gaveta
Não se deita fora a história de uma vida...
Saiu de casa decidida
Desta vez a história será diferente!
Comprou uma caneta de tinta permanente
Pois, no seu intimo, sente que assim será
E nem se permite ter medos nem dúvidas...


