"Imortais mortais, mortais imortais, que vivem a sua morte e morrem a sua vida."

Heraclito, 540-480 a. C., filósofo grego, Da Natureza

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Hoje Não Posso



Hoje queria apenas estar ao teu lado...
Mas, não posso!
Existe um vazio
Mas, sei que não o posso preencher.

Hoje queria apenas olhar para ti...
Mas, não posso!
O teu olhar não me pertence.

Hoje queria apenas fazer-te sorrir...
Mas, não posso!Não estás aqui...
Espero que o façam por mim.

Hoje queria apenas beijar-te...
Mas, não posso!
Imaginarei o sabor dos teus lábios e da tua pele.

Hoje queria apenas abraçar-te...
Mas, não posso!
Meus braços não te alcançam.

Hoje queria apenas ser tua...
Mas não posso!
A mulher, a amiga, a amante...o lugar não me pertence.

Hoje queria apenas dizer-te que te amo...
Falar da felicidade de te ter encontrado...
Ah! Mas isso eu posso!
Porque na minha solidão;
No meu coração;
Na minha alma
Não existe "não posso"!
Posso falar tudo sem medo
Posso sentir sem vergonha

Portanto, quando fechar os olhos
Vou pensar em ti;
Vou estar contigo
E realizar num sonho o que 
Hoje não posso!

Quem me dera minhas palavras chegassem até ti
E te fizessem sentir tudo o que desejo
Mas que...
Hoje não posso...

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

As coisas são como podem ser




As coisas são como podem ser e eu não tenho o poder de  interromper o fluxo da vida. 
E cada vez mais sinto a minha pequenez
E cada vez menos sinto vontade de remar contra a maré
Cansaço e frustração de meia vida vivida e poucos sonhos alcançados
Resignação e abandono da esperança de um amanhã melhor
Não me reconheço há muito
Não me identifico com este ser que a vida fez nascer em mim
Mas, as coisas são como podem ser...

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Rita Guerra - Gostar de ti

A SORTE DA LOBA


Depois de vaguear noites sem fim
Por trilhos penosos que lhe feriam as patas
Aguentando aquele frio que lhe gelava o coração
Observada pela Lua
E acompanhada apenas pela solidão
Cai sem forças na neve macia
Sente uma estranha paz a invadir-lhe a alma
Espera a temida sombra a quem chamam morte
Mas, tal era a dor da sua caminhada
Que ela lhe deu o nome de sorte
Despertou com o barulho de passos pesados
Não abriu os olhos
Sentiu a mão carinhosa que lhe afagava a pelagem
Ouvia uma voz meiga repetir as mesmas palavras
Não queria ouvir, não tinha coragem
Quem és tu? O que fazes aqui?
Mergulhou fundo no poço escuro da sua vida
Num turbilhão de lembranças penosas
Era disso que fugia
A causa desta caminhada dolorosa
Lançou-lhe um olhar de raiva
Uivou à Lua, até gastar as últimas forças
Espera a temida sombra a quem chamam morte
Mas, tal era a dor da sua caminhada
Que ela lhe deu o nome de sorte



quarta-feira, 7 de outubro de 2015

CONSTATAR DA REALIDADE



A verdade...
O constatar da realidade
A verdade é que importa a idade!
A realidade é que os sonhos se esfumaçam 
A cada dia que passa
Cada minuto de frustração, de desânimo, de angustia
São sessenta segundos de oportunidades perdidas...
A verdade é que metade da vida foi de lutas 
A realidade é que poucos foram os sonhos realizados
E as lutas continuam
Pois estar vivo é não ter descanso
Mas, os sonhos...dormem um sono profundo
A verdade é que estou cá
A realidade é que não sei até quando
E quando partir
Levo uma bagagem carregada de desilusão
E um coração cheio de amor...