Por trilhos penosos que lhe feriam as patas
Aguentando aquele frio que lhe gelava o coração
Observada pela Lua
E acompanhada apenas pela solidão
Cai sem forças na neve macia
Sente uma estranha paz a invadir-lhe a alma
Espera a temida sombra a quem chamam morte
Mas, tal era a dor da sua caminhada
Que ela lhe deu o nome de sorte
Despertou com o barulho de passos pesados
Não abriu os olhos
Sentiu a mão carinhosa que lhe afagava a pelagem
Ouvia uma voz meiga repetir as mesmas palavras
Não queria ouvir, não tinha coragem
Quem és tu? O que fazes aqui?
Mergulhou fundo no poço escuro da sua vida
Num turbilhão de lembranças penosas
Era disso que fugia
A causa desta caminhada dolorosa
Lançou-lhe um olhar de raiva
Uivou à Lua, até gastar as últimas forças
Espera a temida sombra a quem chamam morte
Mas, tal era a dor da sua caminhada
Que ela lhe deu o nome de sorte

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