"Imortais mortais, mortais imortais, que vivem a sua morte e morrem a sua vida."

Heraclito, 540-480 a. C., filósofo grego, Da Natureza

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O QUE QUERO DESTE NOVO ANO?

Deste Novo Ano que está a chegar
Quero muito...
Como há muito não queria
Quero descobrir coisas novas e não temer a desilusão
Arriscar novos caminhos, sem ter medo de me perder
Quero sonhar, sem receio de pesadelos
Quero sorrir e rir, como há muito não o fazia
Acreditar, confiar, sem procurar uma mentira
Amar, quero continuar a amar...
Quero mergulhar na sétima onda da vida
Quero que um forte vento me leve medos e inseguranças
Quero que as lágrimas limpem a minha alma
E viver...
Quero viver esta vida
Quero amar esta vida
E agradecer por ser a minha...

CUMPLICIDADE DE OLHARES

Eles não trocavam juras de amor
Nunca passeavam de mãos dadas
Nunca se chamaram por nomes infantis
Pieguices românticas, nunca as ouvi
Mas foi a cena mais doce que eu vi
Dois olhares que se encontravam
Dois olhares que se penetravam
E entendiam-se
E confortavam-se
E conheciam-se
E completavam-se
Não eram meros amigos
Amavam-se
Desejavam-se
Protegiam-se
E tudo isto eu li
Naquela cumplicidade de olhares

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

E neste ano que acaba...




Passei noites a chorar,
Sem ter a visita tranquilizadora do sono.
Mas,também me deitei tão feliz,
Ao ponto de nem conseguir fechar os olhos...



Deixo,sem dó, para trás
Todas as lembranças que me ferem
Todos os sentimentos indignos
A um coração que vive de amar...
Levo apenas a leveza de cada sorriso
O calor de cada feliz amanhecer
A alegria de cada conquista...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Surpresas do destino




E, quando menos se espera
Em mais uma surpresa do destino
Eis, que mais um forte e doloroso golpe
Atinge, sem que nos possamos defender.
E, sem que possamos evitar
A tristeza domina as nossas emoções, pela enesima vez...
Não pela dor do golpe em si
Mas pela desilusão da mão que o diferiu...
E, quando menos se espera
Em mais uma surpresa do destino
Eis, que no meio do cinza surge cor
E de terra, aparentemente infértil
Cresce uma flor de esperança
Com aroma de amizade e cor de sinceridade...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Nada...



Nem som
Nem murmúrio
Nem um grito ou palavrão
Nada...
Um ai
Um lamento
Uma gargalhada ou um estrondoso choro
Nada...
Nada...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Amo-te...por isso...liberto-te...



É por ser verdadeiro o meu amor
Que te deixo voar
Amo-te...por isso...liberto-te...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

AINDA ACORRENTADA



- Ainda acorrentada?...
- Ainda acorrentada...mas prestes a soltar-me...acho eu..
Bem, estou a fazer por isso...
Tenho urgência que assim seja...
Ou...
O cansaço vence-me...
E morro asfixiada por este resto de correntes.
- E o que te falta para te libertares de uma vez?
- Forças...vontade...coragem...
- Vontade? Coragem?
Mas, como é possível não as teres?
- É possível sim, meu bom amigo...
Nesta fase, libertar-me, implica cortar laços muito fortes...
Implica culpar quem me foi acorrentando ao longo da vida...
Cada volta desta corrente que ainda cerca minha alma, é um relato da minha
fraqueza.
Ainda acorrentada...a ver vamos, por quanto mais tempo...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O BURACO


1.
Caminho pela rua,
Há um profundo buraco no passeio,
E caio lá dentro.
Estou perdido... não sei que fazer.
A culpa não é minha,
Preciso de uma eternidade para descobrir a saída.

2.
Caminho pela mesma rua,
E lá está um grande buraco no passeio,
Finjo que não o vejo,
Caio outra vez.
Custa-me a acreditar que esteja no mesmo lugar,
Mas a culpa não é minha,
Ainda preciso de muito tempo para sair.

3.
Caminho pela mesma rua.
Há um profundo buraco no passeio,
Vejo que lá está, Mas caio... já é um hábito.
Tenho os olhos abertos,
Sei onde estou,
Mas a culpa é minha,
E saio imediatamente.

4.
Caminho pela mesma rua,
Há um grande buraco no passeio,
E passo ao lado.

5.
Caminho por outra rua.

(Sogyal Rinpoche)

sábado, 5 de novembro de 2011

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Desejo de Voar


De uma menina
Nasce uma mulher
A imaturidade torna-se madura.
Do desejo de ser
Nasce a vontade de fazer.
Da necessidade de caminhar
Nasce o desejo de voar
E como cresce o desejo de voar...

De um segredo
Nasce uma história
Envolta num nevoeiro de mistério.
De um sonho
Nasce uma realidade
Ou o desejo da concretização.
Tudo muda
Tudo se transforma
Nada permanece igual.

Apenas se mantém
O desejo de voar...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011


“(...) Já caí inúmeras vezes, achando que não iria me reerguer. Já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais... ”

Clarice Lispector

terça-feira, 18 de outubro de 2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

MELODIA E SAUDADE


Sou lobo, que apaixonado pela lua
À distância,
Sem a poder tocar
A deseja alva e pura.
Meu uivo é um canto melancólico
Melodia e saudade...
Ao som de um violino desafinado.
Ninguém para bater palmas,
Apenas solidão…
Uma nota repetida
Para aumentar minha agonia
E relembrar uma vida que me deixou
Numa noite fria.
Abraçadas a mim,
Velhas companheiras
No amor como na dor...
Melodia e saudade
Não me deixam ficar só.

sábado, 24 de setembro de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

A VIDA




























Escapa-me a vida
Tal grãos de areia que tento segurar...

domingo, 24 de julho de 2011

Excerto de "O Principezinho"

“E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu educadamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um menino inteiramente igual a cem mil outros meninos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou à sua ideia:
- A minha vida é monótona. E por isso eu aborreço-me um pouco. Mas se tu me cativas, a minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros fazem-me entrar debaixo da terra. O teu chamar-me-á para fora como música.
E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo que é dourado lembrar-me-á de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o príncipe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- Nós só conhecemos bem as coisas que cativamos, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens já não têm amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer.
Tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas"

Antoine de Saint-Exupéry

quinta-feira, 23 de junho de 2011

POR FAVOR...LANCEM-ME UMA CORDA...















Quem é que me salva?
Lancem-me uma corda, por favor...
Já não consigo respirar
Já me custa continuar
No meio destes seres que nada me dizem
Ai! Que agonia!
Respirar o mesmo ar...
Pisar o mesmo chão...
Partilhar minutos da vida...
Eu sei!
Sou eu quem está mal!
Sou eu quem não se enquadra...
É verdade!
Lancem-me uma corda, por favor...
Estou a sufocar com a hipocrisia
A afogar-me nos sorrisos falsos
Nos olhares ferozes que me consomem as forças.
Por favor...lancem-me uma corda...

sábado, 23 de abril de 2011

ALMA PERDIDA


Procuro-te, alma perdida
Pois que dentro de mim não te encontro
Grito por ti
Num desesperado chamamento
Mas, fora de mim também não estás
Por onde andas alma perdida
Onde foi que te perdi?
Numa qualquer desilusão
Num qualquer momento de solidão
Procuro-te, alma perdida
Pois que fora de mim, não estás
E dentro de mim, não te encontro...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

VAZIO





Olho com dor o vazio
Na esperança que vazio fique meu peito
Pois que calado já foi meu sentir...

domingo, 10 de abril de 2011

sábado, 9 de abril de 2011

Como devia ser



Devia ser assim
Como se o momento seguinte não existisse
E a dor fosse a única forma de me saber eu?
Devia eu curvar-me e sangrar e gritar e chorar
Como eterna escrava da desilusão
E única amante do sofrimento?
Devia eu tropeçar e ficar em lamentação
Como se o futuro fosse um grande nada
E todas as esperanças gritassem o silêncio do impossível?
Devia alimentar a demência e fechar-me em falsos sonhos
Como se não fosse ver o sol amanhã
E todas as portas fossem feitas sem fechadura?
Como devia ser?
Digam-me…
Porque só sei ser sentimento em tempestade
E vontade de voar
E sonho de acreditar.

sexta-feira, 8 de abril de 2011




"Amamos a vida não porque estamos acostumados à vida, mas a amar. Há sempre alguma loucura no amor, mas há sempre também alguma razão na loucura."
(Friedrich Nietzsche)

domingo, 3 de abril de 2011

E O QUE SENTES REALMENTE?

- E o que sentes realmente?
- Tanta coisa...e nada...
- Começa por explicar o nada.
- Fácil, nada é nada...é vazio...
- Mas, sendo nada, como podes sentir? Se sentes algo, mesmo que um vazio, já estás a sentir alguma coisa...logo apenas sentes tanta coisa... e isso é bom...retira-te essa dualidade de sentimentos que criaste. Fica só "tanta coisa"...
E o que sentes realmente?
- Sinto que sou nada! Que penso tanta coisa e sinto tanta coisa...e no final, somando tudo...tenho nada...
- Enganas-te mais uma vez!
Isso é impossível...se tens uma coisa e juntas outra coisa, jamais obténs nada. É matemáticamente impossível...
- Bem sei, mas o que quero dizer é que eu sou o nada... de tanta coisa que sinto, que penso, que quero...não tiro nada, não faço nada, não alcanço nada...
Vês?! Nada...nada...nada...
- Não creio que assim seja. Poderás não ser tudo o que desejas, o que sentes, o que pensas... mas, nada...
- Sim, alguma coisa sou...nada do que está no meu ser... nada do que sei que poderia e deveria ser!
E isso enfurece-me!!!!!!
E isso deprime-me... e isso tira-me as forças...
- E o que sentes realmente?
- Raiva deste ser fraco que deixei crescer e enclausurou a minha essência...e agora, que me apercebo do mal que me faz... quero aniquilá-lo, mas as minhas energias foram sendo sugadas a pouco e pouco, sem que desse conta...
É tarde...
- Nunca é tarde!
O tempo corre contra nós, se formos na direcção errada, mas corre a nosso favor se seguirmos a mesma direcção, tal qual o vento... Só tens que te virar a favor do tempo e do teu interior.
- Por favor, não me perguntes mais o que sinto...porque a resposta é triste...
Sei que vais perguntar...
Sinto que te vou desiludir, mas não sei em que direcção vai o tempo...nem vontade de o alcançar...
- Vais saber...quando realmente o quiseres...e isso será breve, pois o teu ser não aguenta muito mais tempo de clausura.
Nesse momento, gritará de dentro de ti: E o que sentes realmente?

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O que me aflige?


Afligem-me lamúrias
Daqueles que nada fazem...
Chora-se uma vida
Grita-se uma dor
Esmurra-se uma porta fechada
Sem olhar a chave ali pendurada...

Fecha-se os olhos ao sol
Esconde-se o rosto entre as mãos
Lamenta-se a escuridão da noite
Anda-se sem norte pela rua
Sem sequer ver estrelas nem Lua...

Sufocam-me os gemidos
Dos que lamentam cada segundo...
Estrangulam-se sentimentos
Perdem-se novos rumos
Corre-se sem norte sozinho
Sem procurar um real caminho...

Teme-se a solidão
Foge-se da consciência
Procuram-se refúgios e esconderijos
Cava-se um buraco no chão
Mas, não se ouve o coração...

Queimam-me a essência as lamentações
Dos que lamentam a existência...
Culpa-se o mundo
Condena-se a sorte
Calam-se gargalhadas
Trancam-se emoções
Sem sequer tentar entender as razões...

Chorem... mas limpem as lágrimas!
Gritem... mas um grito sentido!
Lamentem... mas não se escondam!
Calem...mas sintam a dor!
Ergam os olhos... no chão há pouca cor!

Aflige-me o amor pela desgraça!
Aflige-me o cultivo da má sorte!
Aflige-me a cobardia!
Aflige-me a fraqueza...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011



Nada mais estrangulador que um grito por gritar...
e aquela palavra por dizer, que nunca vai ter lugar.