"Imortais mortais, mortais imortais, que vivem a sua morte e morrem a sua vida."

Heraclito, 540-480 a. C., filósofo grego, Da Natureza

quarta-feira, 20 de abril de 2011

VAZIO





Olho com dor o vazio
Na esperança que vazio fique meu peito
Pois que calado já foi meu sentir...

domingo, 10 de abril de 2011

sábado, 9 de abril de 2011

Como devia ser



Devia ser assim
Como se o momento seguinte não existisse
E a dor fosse a única forma de me saber eu?
Devia eu curvar-me e sangrar e gritar e chorar
Como eterna escrava da desilusão
E única amante do sofrimento?
Devia eu tropeçar e ficar em lamentação
Como se o futuro fosse um grande nada
E todas as esperanças gritassem o silêncio do impossível?
Devia alimentar a demência e fechar-me em falsos sonhos
Como se não fosse ver o sol amanhã
E todas as portas fossem feitas sem fechadura?
Como devia ser?
Digam-me…
Porque só sei ser sentimento em tempestade
E vontade de voar
E sonho de acreditar.

sexta-feira, 8 de abril de 2011




"Amamos a vida não porque estamos acostumados à vida, mas a amar. Há sempre alguma loucura no amor, mas há sempre também alguma razão na loucura."
(Friedrich Nietzsche)

domingo, 3 de abril de 2011

E O QUE SENTES REALMENTE?

- E o que sentes realmente?
- Tanta coisa...e nada...
- Começa por explicar o nada.
- Fácil, nada é nada...é vazio...
- Mas, sendo nada, como podes sentir? Se sentes algo, mesmo que um vazio, já estás a sentir alguma coisa...logo apenas sentes tanta coisa... e isso é bom...retira-te essa dualidade de sentimentos que criaste. Fica só "tanta coisa"...
E o que sentes realmente?
- Sinto que sou nada! Que penso tanta coisa e sinto tanta coisa...e no final, somando tudo...tenho nada...
- Enganas-te mais uma vez!
Isso é impossível...se tens uma coisa e juntas outra coisa, jamais obténs nada. É matemáticamente impossível...
- Bem sei, mas o que quero dizer é que eu sou o nada... de tanta coisa que sinto, que penso, que quero...não tiro nada, não faço nada, não alcanço nada...
Vês?! Nada...nada...nada...
- Não creio que assim seja. Poderás não ser tudo o que desejas, o que sentes, o que pensas... mas, nada...
- Sim, alguma coisa sou...nada do que está no meu ser... nada do que sei que poderia e deveria ser!
E isso enfurece-me!!!!!!
E isso deprime-me... e isso tira-me as forças...
- E o que sentes realmente?
- Raiva deste ser fraco que deixei crescer e enclausurou a minha essência...e agora, que me apercebo do mal que me faz... quero aniquilá-lo, mas as minhas energias foram sendo sugadas a pouco e pouco, sem que desse conta...
É tarde...
- Nunca é tarde!
O tempo corre contra nós, se formos na direcção errada, mas corre a nosso favor se seguirmos a mesma direcção, tal qual o vento... Só tens que te virar a favor do tempo e do teu interior.
- Por favor, não me perguntes mais o que sinto...porque a resposta é triste...
Sei que vais perguntar...
Sinto que te vou desiludir, mas não sei em que direcção vai o tempo...nem vontade de o alcançar...
- Vais saber...quando realmente o quiseres...e isso será breve, pois o teu ser não aguenta muito mais tempo de clausura.
Nesse momento, gritará de dentro de ti: E o que sentes realmente?

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O que me aflige?


Afligem-me lamúrias
Daqueles que nada fazem...
Chora-se uma vida
Grita-se uma dor
Esmurra-se uma porta fechada
Sem olhar a chave ali pendurada...

Fecha-se os olhos ao sol
Esconde-se o rosto entre as mãos
Lamenta-se a escuridão da noite
Anda-se sem norte pela rua
Sem sequer ver estrelas nem Lua...

Sufocam-me os gemidos
Dos que lamentam cada segundo...
Estrangulam-se sentimentos
Perdem-se novos rumos
Corre-se sem norte sozinho
Sem procurar um real caminho...

Teme-se a solidão
Foge-se da consciência
Procuram-se refúgios e esconderijos
Cava-se um buraco no chão
Mas, não se ouve o coração...

Queimam-me a essência as lamentações
Dos que lamentam a existência...
Culpa-se o mundo
Condena-se a sorte
Calam-se gargalhadas
Trancam-se emoções
Sem sequer tentar entender as razões...

Chorem... mas limpem as lágrimas!
Gritem... mas um grito sentido!
Lamentem... mas não se escondam!
Calem...mas sintam a dor!
Ergam os olhos... no chão há pouca cor!

Aflige-me o amor pela desgraça!
Aflige-me o cultivo da má sorte!
Aflige-me a cobardia!
Aflige-me a fraqueza...