"Imortais mortais, mortais imortais, que vivem a sua morte e morrem a sua vida."

Heraclito, 540-480 a. C., filósofo grego, Da Natureza

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

SAUDADE


Saudade
Desse sítio longinquo
Onde nunca estive
Saudade
Daquele ar leve e quente
Que nunca respirei
Saudade
Do sol quente ternura
Que nunca me aqueceu
Saudade
Da água transparente
Onde nunca me refresquei
Saudade
Daquela terra húmida e mole
Que nunca pisei
Saudade
Da relva fofa
Onde nunca rebolei
Saudade
De gentes humildes
Que nunca abracei
Saudade
De um algures luminoso
Que nunca conheci...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

sábado, 13 de novembro de 2010

Melodia de um solitário



Triste melodia
A tocada por um solitário...
Ou talvez não,
Já que é sua única companhia
Já que é sua única motivação...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Apenas aconteceu...


...e mais triste ainda ficou
ao aperceber-se
que perdera a capacidade de rir...
Naquele momento teria rido,
chorado de tanto rir,
mas, apenas esboçou um leve sorriso
e, no momento em que outrora
teria sido de gargalhadas
sentiu vontade de chorar...
chorar de saudade
da alegria que a vida lhe vem roubando.

sábado, 6 de novembro de 2010

Díficil arte...a de viver...


Quantas mais dores?
Quantas mais lágrimas?
Quantas mais feridas?`
Que poético é ter esperança...
Que força, é não perder a Fé...
Esperar por um amanhã melhor,
Imaginá-lo com cores alegres
Despido de nebelina...
Mas, ainda não entendeste?
A única diferença que encontrarás
Será mais um tempo passado...
Mais um sonho apagado,
Mais um sentimento magoado.
Amanhã, acrescentará ao hoje
Apenas o peso das horas, dos dias...
As marcas da esperança espancada pela realidade
Não, não creias que amanhã será melhor que hoje!
Diferente, será... mas melhor...
Vacina o teu coração e a tua alma
Que se enchem de Fé e Esperança
Proteje-os dessa efermidade
Que não mata, mas consome
Que não se gasta, mas que te desgasta.
E vive...
Dia após dia,
Armada, sempre, com o teu escudo.
Não anules o teu ser,
Não abafes a tua alegria,
Não bloqueies o teu dom de amar...
Mas, proteje-te da dor da permanente decepção.
Dos outros, não esperes tanto
Deste mundo impragnado de egoísmo, não exijas demais...
Sê tu própria, não sendo!
Como?
Pois, terás que descobrir...
Pois que é neste contexto que deve seguir a tua existência
Bem sei...
Um contexto onde não te enquadras,
Um cenário artificial ao qual não pertences,
Mas, onde foste despejada
Por motivos que para ti não têm razão de ser.
Só assim te será possível seguir com alguma sanidade...
Tens razão... então para quê?
Qual é a meta?
Um dia...
Um dia o saberás
E então compreenderás...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Raios de luz



...talvez aqueles frágeis raios de luz
consigam chegar ao seu coração
...talvez aqueles frágeis raios de luz
limpem o negro da sua alma
...talvez aqueles frágeis raios de luz
lhe mostrem o novo trilho
...
Mas, jamais verá os raios de luz
se não erguer a cabeça...

sábado, 9 de outubro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A NOITE

É noite
Uma noite igual a tantas
Ou não
A Lua Cheia
Um destino incerto
Uma paragem no desconhecido
Mais uma noite
Ou não
Desconhecidos
Cruzam-se no acaso
Olhares cumplices
Palavras soltas sem sentido
Um voltar atrás
Uma última troca de olhares
Ou não
Uma noite
Nasce uma história
Um destino diferente
Vive-se um sonho
Ou não
Nessa noite
Diferente de todas as outras
Cruzam-se dois estranhos
Duas vidas
Dois seres perdidos
Que o destino uniu
Mantendo-os no mesmo sonho
A noite
Que mudou dois destinos.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

BELA FERA



Era bela!
Era fera!
Era a mais linda rosa,
Com o mais violento espinho.
Porém, frágil...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

...UM INSTANTE...

Porque insistem?
Não quero ver…
Deixei-me acreditar no coração
Deixe-me crer que é possivel
Só por um instante…
Deixem-me viver no meu mundo
Junto das minhas fadas e anjos
De mãos dadas com a inocência
Calem-se!
Não me obriguem a acordar
Deixem-me confiar neste amigo
Deixem-me abrir meu coração
Só por um breve instante!
Por favor!
Deixem-me acreditar nesta humanidade
Deixem-me pensar que são leais
Mas, porque insistem em manter–me aqui?
Sinto nauseas…
Mau estar na alma…
Quero partir para outra existência…
Só um instante…um breve instante…
Só o tempo de apagar a memória
Só o tempo de esquecer a mediocridade desta gente.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

NOTICIAS

Acendeu-se uma luz na noite
Fechou-se uma janela durante o dia
Nasceu um novo ser
Acolheu-se uma criança abandonada
Desceram a ladeira
Fizeram uma escalada
Diseram mais uma mentira
Ninguém acreditou na sua verdade
Sairam cedo
Nunca regressaram
Voltaram tarde
Soltaram mais um culpado
Soltaram mais uma lágrima
Soltaram mais um grito
Soltaram mais uma gargalhada
Desistiram da corrida
Venceu a morte
Beberam água fresquinha
Andaram descalços na terra seca
Mais um coração partido
Mais uma melodia criada
Mais uma letra cantada
Descobriram mais um nome
Encontraram mais um na rua
Colocaram mais uma pedra
Plantaram mais uma semente
Impuseram mais uma regra
Beijaram mais uma criança
Caíram mais uns lá do alto
Ergueu-se um do asfalto
Mais um luto
Mais uma foto rasgada
Mais uma caricia abafada
Selaram-se as cartas
Prenderam-se os pássaros
Apenas me deixaram ir
Permiti-me caminhar
O mundo viveu mais um dia...

PEDRAS NO CAMINHO?

Pedras no Caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

(Augusto Cury)

sábado, 7 de agosto de 2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

“Rende-te, como eu me rendi.

Mergulha no que não conheces como eu mergulhei.

Não te preocupes em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”


(Clarice Lispector)


domingo, 25 de julho de 2010

...PORQUE ASSIM O DECIDI...

Eis que se aproxima mais um ano!
De braços abertos o recebo,
De coração cheio o anseio.
Este será, finalmente, o Meu ano!
Pois que desta vez assim o decidi.
As minhas desculpas a todos os que contam comigo;
aos que se habituaram aos meus braços abertos;
a todos aqueles que em seguida me espetam um valente pontapé...
Este ano não vou estar!!
Este ano vou dedicá-lo a MIM!
E, porque assim o decidi
Este será realmente e finalmente
O primeiro ano do resto da minha vida!


sábado, 24 de julho de 2010

- Porque continuas a ser amável para aquele que te agride?... E continuas a sorrir para
aquele que te fecha a cara?... E continuas a ser leal com aquele que te engana?...
- Simples, meu amigo... Porque não é nenhum deles que vai decidir como eu devo agir!




quinta-feira, 22 de julho de 2010

Uprising

They will not force us
They will stop degrading us
They will not control us
We will be victorious

(So come on)

terça-feira, 6 de julho de 2010

YOU ARE GOLD!!!!

Rodopiando

Terá mesmo a vida que ser esta constante espiral?
Já se começa a sentir enjoada...
Sempre que as voltas parecem abrandar
Eis que retomam mais velozes que na última vez...
Ela solta mais um grito de desespero
Na esperança de ser ouvida
Mas, a espiral roda e roda e roda...
E o grito parece ser abafado pelas voltas dementes
Ou não haverá simplesmente ninguém que a possa acudir?
Já chega!
Todas as batalhas um dia tiveram um fim...
Mas, a sua é interminável!
Não se recorda as vezes que já erguera bandeira branca
E quando pensa que encontrou a paz...
Para quando o fim das lágrimas?
Já não acredita muito...
Chora...
Revolta-se...
Descansa...
Recopera forças...
E mais um rodopiar está prestes a envolvê-la...


sábado, 3 de julho de 2010

AMAVAS-ME PELO QUE SOU...


Estarias lá...
Se visses a sombra em que vivo?
Rezavas por mim se fosse um discrente?

Amavas-me pelo que sou
E apesar do que sou?

Permanecerias junto a mim
Se todos me abandonassem?
Querias saber de mim
Se não me importasse com o mundo?
Emprestavas-me tua visão
Se não podesse ver?
Chamarias meu nome
Se não o podesse ouvir?

Amavas-me pelo que sou
E apesar do que sou?

Estendias-me tua mão
Se me estivesse a afundar?
Acenderias uma luz
Se vivesse na escuridão?
Enrroscavas-me em teu colo
Se morresse de frio?
Serias minha bengala
Se não podesse caminhar?

Amavas-me pelo que sou
E apesar do que sou?

Abraçavas minha alma
Se eu a ignorasse?
Mostravas-me o que tenho de bom
Mesmo que o escondesse?
Oferecias-me um sorriso carinhoso
Depois de te causar dor?

Estarias lá se visses a sombra em que vivo?...

Amavas-me pelo que sou
E apesar do que sou?



segunda-feira, 28 de junho de 2010

Sonhos...


Sonhadora, eu?...
Sim, sou sonhadora!
E jamais me permitirei novamente deixar de sonhar.
Perdi-me de mim
Perdi-me do meu caminho
Num qualquer momento que travei os meus sonhos
Num qualquer instante que deixei de crer
Num qualquer doloroso segundo que escureceu a luz da esperança.
Mas, sempre torna a luz brilhante após o tempo de breu
E ao iluminar a paisagem
Surgem maravilhas no horizonte...
E a relidade com que me deparo
Fora em tempos sonho
Sonho esse em que não acreditava...

quinta-feira, 24 de junho de 2010


A viagem é longa...
Mas sinto-me segura

terça-feira, 15 de junho de 2010





Venha o que vier
serão passos
experiências
aprendizados...
será vida
serão sonho...
Com a única esperança
de ser,em tudo
sempre eu.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O que me faz forte nesta vida...
um coração que não desiste.
o que me torna livre...
viver e deixar viver.
o que me faz ser amada...
amar sem pedir nada em troca.

domingo, 23 de maio de 2010

NOITE



Denso enxame sombrio
Que envolve pensamentos distraídos
Ideologias e conceitos mundanos
Sopro frio que banha uma face pálida e triste
Rostos fantasmas que se cruzam
Por ruelas e becos escuros
Estradas distorcidas
Estranhas e espinhosas
Ouve-se um canto solitário de ave nocturna
Louvando a tranquilidade
Saudando todos os seres
Sob a pálida luz do luar
Em algum lugar
Encontra-se mais um amante da noite
Remoendo pensamentos
Tristezas e alegrias se mesclam e difundem
Loucuras sóbrias se confundem
Oh, noite!
Sorrateiro convite a vislumbrar-te
Gerações e gerações te contemplam
Envolvidos pela magia e graça do luar
Oh, noite!
Eterna companheira do solitário e do ébrio
Sempre nos presenteaste com teus mistérios
No teu silêncio, sonhos são vividos
Preces são lançadas aos céus
Ilusões elevam a alma..

quinta-feira, 20 de maio de 2010

EU

Era o EU
Cujo sentido
Cuja natureza
Queria conhecer
Era o EU
De quem queria libertar-me
Aquele que queria conhecer
Foi o EU que enganei
Foi do EU que me escondi
Foi do EU que fugi

E sobre nada sei tão pouco
Como sei do meu EU



domingo, 11 de abril de 2010

Disfarça-se uma alma
nesta farsa
que é o corpo...
Vive uma realidade
acorrentada,
uma existência
de pura ficção...







sexta-feira, 2 de abril de 2010

terça-feira, 30 de março de 2010

LAMINAS CRAVADAS



Sei que existe um lugar na história, na minha história, responsável por esta inércia, por esta tristeza interior, aparentemente sem razão de existir…
Em algum momento, um simples acontecimento, ou um conjunto deles, travou a minha caminhada, bloqueou-me as forças, levando-me a baixar as armas e abandonar a grande luta.
Em algum instante de distracção, baixei meu escudo e permiti a entrada, em meu corpo e em minha alma, desta lamina afiada que me atingiu ferozmente, paralisando qualquer capacidade de reagir.
Devo retirar esta lamina…é imperativo que o faça… e fazer um curativo na ferida que ficar…mas…mas receio…
Temo que ao retirá-la, deixe aberto tamanho buraco… e que por ele saia todo o meu sangue, toda a minha vida…e que todo o meu ser fique seco, antes de haver tempo para o impedir.
Que fazer então?
Folheio em aflição o livro da minha história, procurando com grande ansiedade o tal lugar, o tal momento…
Talvez, se o encontrar, consiga entender a gravidade do ferimento e encontrar o curativo adequado.
(alegre esperança que me permite um leve sorriso)
Vou encontrando um… e outro…e mais uns quantos…
(sorriso morto)
Afinal, acabo de descobrir que venho carregando várias pequenas facas afiadas e nem me apercebera a sua dor…mas em cada página do livro, em cada memória, sinto as pequenas laminas rasgarem-me a carne e vejo os danos causados na alma.
Aumenta a minha angústia a cada lamina encontrada…
Que faço?
Por favor, alguém me ajude…
(rolam lágrimas retidas)
Não me sinto com coragem para retirar uma a uma…afinal, a dor de as encontrar já por si é insuportável…não tenho forças…
Quem me ajuda?
Será que alguém as pode retirar por mim?
(retêm-se novamente as lágrimas)
Não!
Não posso impor tamanha responsabilidade a alguém.
Só eu…tenho que ser eu…
Mas, também posso continuar a viver com estes ornamentos, que não são mais que marcas de uma história, da minha história.
Além do mais, mesmo que retire as laminas, mesmo que consiga sarar as feridas por elas deixadas, ficarão sempre as marcas…as cicatrizes…que me permitirão nunca esquecer os golpes que me foram oferecidos…
Lembrar-me-ei sempre, mas talvez não sinta mais as dores… talvez os meus movimentos se soltem e as minhas atitudes…talvez recupere forças e sentimentos…
(o inicio de uma certeza)
Se permiti, por distracção ou fraqueza, que as laminas me rasgassem a essência, terei de encontrar a determinação de as retirar, de estancar o sangue, de sarar as feridas.
Poderei morrer de dor… poderei morrer seca, na incapacidade de estancar o sangue…poderei morrer de infecções, se não conseguir desinfectar e tratar as feridas correctamente…
Mas, morrerei tentando tratar-me!
(a certeza)
Ou, poderei morrer em vida e para a vida, já que estas facadas me prendem tudo o que me faz viver…
A morte…essa palavra medonha…que nos soa a fim, a não retorno, a separação, a dor…
Mas, será realmente a morte a dor, ou o termino da dor?
Será a morte realmente o final absoluto, ou apenas o encerramento de um capítulo e o recomeço de um novo?
(e morre a certeza)
Será que se eu morrer com estas laminas cravadas no meu ser, morrerá também a dor insuportável que elas causam, ou será que as carregarei comigo no capítulo seguinte?
Que importa o depois?
Que importa os ses do amanhã?
É hoje… que tenho que tomar a decisão de querer viver (ou morrer, tanto faz) com o meu corpo rasgado, mas remendado e tratado, ou se prefiro viver (ou morrer, tanto faz) com o meu corpo rasgado e carregando todas as laminas que o massacraram.
(as lágrimas seriam uma ajuda)
Mais uma dura descoberta… a cobardia…
Afinal, nada mais faço que ser cobarde! Ou será medrosa?
Sou cobarde! Pois se o não fosse, enfrentaria as minhas dores, os meus medos… estaria a retirar, uma a uma, as laminas que me causam todas as dores e me prendem cada movimento de vida.
Sou cobarde! E por ser cobarde deixo-me morrer em vida...e por ser cobarde permiti aniquilar a minha missão, a minha caminhada, a minha liberdade, o meu sentimento, que foram travados em momentos da minha história e nada faço, agora, que tomei real e dolorosa consciência.
(sorriso de escárnio)
E eu, que sempre abominei a cobardia… descubro que também me fechei nela…
Sendo assim, será que abomino o meu ser?
Sinto-me cansada…
Não sei se quero continuar a folhear este livro…
Compreendo agora a cobardia… menos dolorosa…mais tranquila…
Mas, continuo a abominá-la… e ao conformismo e comodismo que a acompanham.
(sensação de falta de ar)
Esta não é a minha essência!
Esta, não é mais que uma reles e bruta construção elaborada por um arquitecto chamado passado…tijolos acamados que enclausuraram a minha essência, com a minha estúpida permissão.
É isso! Começo por aqui… preciso de ar!
Preciso soltar-me e, talvez pela primeira vez, ser eu mesma, sem regras externas que aniquilam a minha essência, sem amarras que impeçam o meu verdadeiro ser de viver.
Depois… só depois, irei retirar cada lamina cravada na minha alma.
(novo sorriso de esperança)
Quem sabe se elas próprias não vão caindo, já que estão seguras pelos tijolos, que decididamente terei que partir, com todas as forças que já não tenho, mas que terei que encontrar…
Não será fácil…terei vontade de desistir…serei tomada pela exaustão…muitas serão as pancadas que darei num mesmo tijolo até o quebrar…
Esta será a batalha mais importante que terei de travar…a batalha pela minha vida, pela minha verdade…e esta não me permitirei perder!

sábado, 27 de março de 2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

Perde-se o tempo
que se escapa por entre os braços cansados,
de quem já muito esperou...
e na pele áspera
desenham-se em sangue
as marcas dos sonhos desfeitos.




sexta-feira, 19 de março de 2010

gEntE






gente que não vê
gente que não ouve
gente que não cheira
gente que não ri
gente que não chora
gente que não tem dor
gente que não pensa
gente que não ama
gente que não sente
gEntE
que não vive com a gente

domingo, 7 de março de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

A Caminhada




Continuo a caminhada...
Deixando-me levar por passos firmes,
mas tão incertos...
Num perigoso percurso
em que o sonho abala a realidade
e a razão esbofeteia o sonho...

Adormecer...


Entrego nos braços da noite o meu corpo exausto.
Liberto minha alma,
na escuridão e silêncio que me envolvem.
Na companhia do Luar e das estrelas,
caminho pelos prados adormecidos...
sentindo a cada passo,
o estalar dos troncos e folhas secas
que se quebram à minha passagem.
Sigo,
em direcção a lado nenhum,
numa ânsia não sei de quê...
Procuro,
nesta caminhada,
o corpo perdido numa cama qualquer.
Sinto,
o vazio da minha própria ausência,
derramar-se sobre os meus sentidos.
A noite, está escura e fria…
e eu não consigo conter em mim
a força e o calor do meu espírito...
Vou andando,
sem rumo,
nesta solidão apetecida.
Deixo-me perder por aí,
em liberdade que me serve de companhia
Na espera que o dia me amanheça
e me leve de volta ao corpo despido,
que repousa numa cama qualquer.

quinta-feira, 4 de março de 2010




- Para onde vais?
Perguntou-lhe aquela doce voz que jamais a abandonara.

Mas, desta vez, ao contrário de tantas outras, sabia o que lhe responder:
- A caminho da loucura, meu querido amigo... a caminho da loucura...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

MONSTROS

....e monstros teimam em prender-nos
sugando toda e qualquer réstia de força...
A luta torna-se imperativa,
mas medos e fraquezas
dominam todos os sentidos...


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Everybody Hurts

Alma Selvagem

Que fazes tu
Alma Selvagem
Penitenciada neste corpo
Desta matéria prisioneira
Neste ser algemada
Submissa neste mundo de pateticas regras
Obrigada e uma vida de impostas obrigações

Vives uma existência acorrentada

Teus gritos de guerra, emudeceram...
Teus pés descalços, aprisionados...
Tuas tatuagens, arrancadas da pele...

Como vives
Alma Selvagem
Sem mato onde te camuflar
Sem terra para correr
Sem nascente onde te banhar


Tortuoso castigo o teu



Dolorosa dualidade


A necessidade de te libertar
E a noção dessa impossibilidade;
O anseio pela fuga
E a obrigação de estar presente;
O não estar bem em lado algum
Mas, mesmo assim ter que ficar.

Criaste laços de amor
Que te impedem de ser tu
Alma Selvagem
Laços que te amarram a uma existência
Onde deixaste de existir
Que te ferem, tamanha a força de seus nós
Laços que não pretendes desmanchar
Amarras que não queres quebrar
Mas, que te prendem
Que não te deixam mais ser
Alma Selvagem